segunda-feira, 18 de março de 2013

CONTOS EM QUADRINHOS

Transformar gêneros é uma atividade que vem sendo trabalhada com muita eficiência pelos professores de Língua Portuguesa. Os alunos após a leitura de alguns contos, que inclusive estão neste  blog, receberam a tarefa de transformá-los em histórias em quadrinhos. Esta atividade também faz parte do projeto de inserção ao mundo digital desenvolvido pelo professor de Língua Portuguesa, José Geraldo da EMEF. Profª Dalva Foçaça. Para visualizá-los é só clicar abaixo.

Acesse clicando aqui - Trabalho da Lorraine, 7º Ano C.

                                 - Gabriela de Oliveira Miguel 7ºC

                                  - Beatriz da Silva 7ºB

                                   -  Carlos Eduardo

                                  Amanda Oliveira 7º A

                                   Ana Beatriz 7º C

                                        Biel

                                    Jéssica Cruz

                                   Bruna Figueiredo (Wilmar)

                                 João Vítor (Wilmar)


                                      João Vítor

                                O Encontro do Desencontro

                                   Cláudio Gabriel (Wilmar)

                                          Luan Soares (Wilmar)

                                                 Luan 2 






quarta-feira, 13 de março de 2013

MENINO PASSARINHO




A história que eu vou contar pode se confundir com a de muitas pessoas. A história do menino passarinho. Eu o conheci se é que se pode dizer isso, porque pouquíssimas pessoas puderam conhecê-lo de verdade. A primeira vez que o vi, algo me chamou a atenção. Garoto calado, olhar profundo, como se estivesse o tempo todo contemplando alguma coisa. Para sua idade tinha uma estatura normal. Nesse primeiro encontro pouco falou comigo, apenas respondeu as perguntas que lhe fiz. Seu nome era Ângelo.
Nasceu em uma casa simples da periferia, onde vivia com seus quatro irmãos. O pai ele não conhecia. Era sua mãe que sustentava a casa trabalhando como doméstica. Seu irmão mais velho também ajudava, pois já tinha idade para trabalhar. Ângelo ou Anjinho, como era chamado pelos irmãos era diferente dos outros. Sempre fora caldo, sempre com o olhar taciturno. Tinha uma esperteza natural, tanto que os parentes e amigos diziam que iria longe na vida. Mas a timidez o afastava do sucesso.
No primeiro dia de aula de sua vida ficou sem falar com ninguém, somente respondeu a chamada. Assim ficou por muito tempo. Os colegas da sala tentavam se aproximar dele, mas ele não se abria para as amizades. Calado chegava, calado saia. Foi neste tempo que seus problemas começaram. Era considerado aluno displicente, preguiçoso. Começou a frequentar assiduamente a sala da direção da escola. Sua mãe perdera a conta de quantas vezes fora chamada por causa disso. Conversas e conversas, e nada mudava. Repetiu o primeiro ano duas vezes. O segundo uma vez, o terceiro mais duas e quando chegou ao quarto já era um adolescente. Neste período Anjinho tornou-se agressivo, vivia arrumando confusões, sem contar as mudanças de escola. Ele por ficar o tempo todo calado e contemplativo, foi apelidado de o menino passarinho, tudo por causa de um professor que bem alto gritou que ele parecia um passarinho, pois passava o tempo todo voando.
O que será que passava pela cabeça do menino passarinho, por onde será que ele voava? Essa pergunta atordoava a todos que dele queriam se aproximar. Às duras penas ele terminou a quarta série. Já era um moço, quinze anos . Resolveu que não iria mais para a escola, pois queria trabalhar. Sua mãe ficou apreensiva, como poderia seu menino sobreviver dentro de uma empresa do jeito que ele era. Não permaneceria em emprego algum. Esse pensamento estava correto, não parou mesmo nos empregos.
Angelo tinha um lugar secreto, onde costumava ficar quando estava nervoso. Todos sabiam que ali ele se refugiava, mas ninguém sabia como era o lugar. Era um barraco velho que ficava bem no fundo do quintal de sua avó. Ali ele costumava passar horas, e às vezes, até dormia por lá. Infelizmente o menino passarinho deu um voo equivocado e foi parar em uma delegacia, pois estava com um grupo de delinquentes. A família ficou desesperada, o que fazer, eram pobres e advogado cobrava caro.
Aprisionaram o menino passarinho por dois anos. Foi nesse tempo que o conheci. Chegou em minha sala de cabeça baixa, e quase nada falou. E u já havia lido todo o relatório feito sobre ele. O motivo dele estar ali, como era sua família, seus problemas escolares. Mas algo me incomodava, ele não tinha um histórico tão ruim como eu pensava, estava ali apenas por um delito. O que se passava naquela cabeça? Passei alguns meses incomodado, pois nada tinha mudado desde o nosso primeiro encontro, ele continuava em seus voos intermináveis.
Resolvi então visitar sua família para entender melhor o garoto. Fui muito bem recebido. Todos queriam entender o motivo daquele drama. Conversamos sobre sua infância e o tempo na escola. Muita coisa não encaixava. Um garoto aparentemente normal que não conseguia estudar, que não conseguia trabalhar e que agora estava preso. Algo dentro de mim me fez perguntar para a mãe se tinha alguma coisa que ele gostava de fazer. Ela me disse que ele passava horas e horas no barraco no fundo do quintal da casa da vó, e eles não iam até lá, portanto ninguém sabia o que ele fazia e o que tinha lá dentro. Pedi para conhecer o lugar.
Quando entrei no barraco fiquei estupefato e em estado de graça. Um espaço todo organizado, uma espécie de ateliê. Esculturas, pinturas de fazer inveja a muitos artistas bem preparados. Obras geniais. O menino passarinho depois de seus voos trazia para o seu ninho as recordações dos lugares e imagens que conhecera. Sentei, contemplei e chorei. A visita àquele lugar me fez repensar o meu trabalho, as minhas abordagens aos meninos e meninas que vinham à minha sala.
Voltei para a Fundação, e solicitei que Ângelo viesse até a minha sala. Desta vez não fiz perguntas, pedi-lhe apenas que desenhasse o que estava sentindo naquele momento. Sai da sala, e depois de algum tempo voltei.
Ele me entregou o desenho, mais uma vez fiquei estupefato, mais uma vez me emocionei. Pedi para me contar, onde tinha sido aquele voo, foi aí que comecei a conhecer o verdadeiro menino passarinho. Descobri que ele sabia ler, não escrevia tão mal como se pensava, não tinha problemas em aprender. Apenas, não foi alcançado em seus voos.
Lutei para que ele fosse liberado da pena, continuei acompanhando seus passos. Ele se encontrou, começou a falar mais. Embora ainda continuasse contemplativo e de pouca conversa. Volta mais rápido de seus voos e cada vez mais com imagens geniais.
Muitos anos se passaram e o menino voou, voou, para outras terras para mostrar o produto de seus voos, é hoje um grande artista plástico. Depois dele conheci outros passarinhos, cada um com seu ninho, seu esconderijo, com sua genialidade. Aprendi a lutar para a sobrevivência destes passarinhos para que não sejam abatidos em seus voos, que não se percam pelo caminho. Ângelo, o menino passarinho também me ensinou a voar, que eu também preciso de um ninho, para comigo me encontrar. E que todos nós somos passarinhos e precisamos de liberdade para voar. Há muitos meninos passarinhos por aí precisando de alguém para encontrá-los.

Autor: José Geraldo da Silva

terça-feira, 12 de março de 2013

LÁGRIMAS



Águas que jorram devagar
Assim são as lágrimas
Quando são despertadas
Não se sabe muitas vezes
O porquê de o seu transbordar
Pode ser por causa
de uma triste cena,
De uma saudade,
Da beleza de um por de sol,
Da alegria de ver a terra seca
Sendo encharcada pela chuva tão esperada
Ou pela dor da separação.
Lágrimas tornam o ser mais humano
Demonstram as verdades,
Revelam os sentimentos,
De alegria, de dor, de amor,
Revelam a alma.
Reter as lágrimas é viver represado, empossado.
É sentir tudo e não ser mergulhado
É ser tocado, mas não alcançado.
É ter o tudo, como se não tivesse nada.
Lágrimas são como veios finos
Que se transformam em ribeirões
Que invadem os rios
Que desaguam no mar
Assim elas revelam as pequenas coisas,
Os sentimentos que crescem
As dimensões e as distancias.
Elas mostram a grandeza
De se poder amar e a nobreza do ato de chorar...

Autor: José Geraldo da Silva

SINFONIA DO OLHAR





Imagine uma orquestra interpretando uma sinfonia
Imagine seres encantados a arquitetar
No meio da floresta uma doce magia
Que só as almas puras podem enxergar
Imagine o mar agitado quebrando a monotonia
E com doce violência a pedra dura moldar
Imagine o som de prazer e alegria
Que só as almas puras podem interpretar
Por isso fui encantado
Para ouvir o som da orquestra
Regida maviosamente por um ser iluminado
Sinfonia abstrata sem ninguém para ouvir
E poder perceber que os seres encantados
Estão maliciosamente a sorrir
Admirados com a escultura feita pelo mar
Admirados com o mistério do seu olhar
Que silenciosamente regem a sinfonia
E que desconcertantemente tentam se esconder
Mas que acabam revelando a magia
Da sinfonia do silêncio que está ao teu redor
Descortinando os encantos deixando os revelar
E assim eu acordo do encanto procurando teu olhar. 

Autor: José Geraldo da Silva

O DESABAFO DE UM APRENDIZ DA PENA




Quando escrevo não me preocupo com as rimas, com a métrica ou com a forma. Escrevo tomado pela emoção do momento. Momento que me faz pensar, sonhar e questionar, simplesmente o que importa é o momento. Não busco as palavras difíceis, rebuscadas e elegantes. Procuro aquelas que combinam com o sentimento e a emoção. Sinto-me um atrevido quando ouso dizer que faço poesia ou que sou um poeta. Não posso me comparar a um Quintana, Vinícius ou um Drummond, sou apenas um aprendiz que conduz a pena de forma amadora, que treme ao tingir o papel com as palavras, criando apenas rabiscos. Também não me preocupo se alguém irá gostar daquilo que escrevo, o que importa é que o papel registra a minha emoção. O mais importante é que aprendi a amar as palavras e sua magia. E como João Guimarães Rosa tenho a palavra como minha amante e juntos procriamos. Já escrevi sobre o amor, a solidão, o tempo, o silêncio, os sonhos e acima de tudo, sobre minha fiel companheira, a palavra. É através das linhas rabiscadas que juntos criamos e divulgamos a essência do ser. Ser que só sobrevive porque tem como companheira a palavra, que simplesmente revela o ser.
Obrigado mais uma vez a você minha pena que rabiscou o desabafo deste aprendiz.

Autor: José Geraldo da Silva 

O SILÊNCIO




Às vezes ele é tão necessário
É tão desejado e tão querido
Necessário porque nos faz viajar
Viajar para um lugar escondido
Que só encontramos quando
Nos damos a oportunidade de nos calar
Calar diante das adversidades,
Das tempestades a nos atormentar
Ele nos ajuda a escancarar
As portas e janelas da morada secreta
Morada que somente nós podemos entrar
Lugar onde se esconde as tristezas,
As alegrias, os amores, os desamores
E os rancores.
Somente em silêncio podemos
No seu interior adentrar
Adentrar e vasculhar as gavetas
Que o tempo tentou arrumar e guardar
Gavetas que contém os desacertos,
Os acertos que não queremos mostrar
Somente em silêncio podemos
O baú destrancar
Baú que guarda os segredos
Que não queremos contar
Como é precioso o silêncio
Somente ele nos faz viajar
E conosco nos encontrar.

Autor: José Geraldo da Silva

METADE


Em sua viagem ao mundo recém-criado o ser encantado levou em sua aljava suas setas inflamadas dos mais nobres sentimentos. Dentre eles o mais cobiçado, o mais desejado, invejado e também o mais desacreditado. Motivo de disputa no Olimpo, lugar de todas as vaidades, beldades, maldades e lugar de eternidade. Onde ele estabelece sua morada.
Sem ainda entender o poder a si confiado, atirou suas flechas acertando toda a humanidade. Unindo corações, unindo metades. As mais belas histórias de amor foram vividas. Abelardo que amou Heloise e por ela foi amado. Separados pela hipocrisia, unidos na eternidade. Romeu que amou Julieta e por ela foi amado. Separados pela ignorância, unidos pela fatalidade.
Ele próprio foi capturado. De perseguidor com missão atroz, por suas setas foi encantado. Podendo apenas oferecer à amada a noite e com a face ocultada para não ser desmascarado.
Assim acontece com a pena do poeta, pena que é encantada. Que cria, sonha e ama, e brinda a humanidade com suas baladas, odes elegias, com sua poesia. Pena que sem pena toca o coração do iluminado. Que como Cupido também é afetado e que não pode seu rosto ser revelado. Que se contenta apenas com a metade...

Autor: José Geraldo da Silva