Os vídeos abaixo fazem parte do acervo do MEC para serem utilizados por professores e alunos. É uma apresentação sucinta da vida e obra de grandes autores da Literatura brasileira. é uma viagem pelo universo de cada um deles. Para assistir e baixar, basta clicar em cima do nome de cada autor.
José de Alencar
Graciliano Ramos
Guimarães Rosa
José Lins do Rego
Lima Barreto
Lygia Fagundes Teles
Machado de Assis
Mário de Andrade
Drummond
João Cabral de Mello Neto
Rachel de Queiroz
terça-feira, 19 de março de 2013
Vídeo Apresentação
O projeto de inclusão digital: inserção ao mundo digital tem como objetivo capacitar os alunos para o uso das novas tecnologias, bem como a Internet. O vídeo abaixo apresenta de forma clara o que vem a ser esse projeto e seus objetivos.
Assistam ao vídeo:
segunda-feira, 18 de março de 2013
CONTOS EM QUADRINHOS
Transformar gêneros é uma atividade que vem sendo trabalhada com muita eficiência pelos professores de Língua Portuguesa. Os alunos após a leitura de alguns contos, que inclusive estão neste blog, receberam a tarefa de transformá-los em histórias em quadrinhos. Esta atividade também faz parte do projeto de inserção ao mundo digital desenvolvido pelo professor de Língua Portuguesa, José Geraldo da EMEF. Profª Dalva Foçaça. Para visualizá-los é só clicar abaixo.
Acesse clicando aqui - Trabalho da Lorraine, 7º Ano C.
- Gabriela de Oliveira Miguel 7ºC
- Beatriz da Silva 7ºB
- Carlos Eduardo
Amanda Oliveira 7º A
Ana Beatriz 7º C
Biel
Jéssica Cruz
Bruna Figueiredo (Wilmar)
João Vítor (Wilmar)
Acesse clicando aqui - Trabalho da Lorraine, 7º Ano C.
- Gabriela de Oliveira Miguel 7ºC
- Beatriz da Silva 7ºB
- Carlos Eduardo
Amanda Oliveira 7º A
Ana Beatriz 7º C
Biel
Jéssica Cruz
Bruna Figueiredo (Wilmar)
João Vítor (Wilmar)
quarta-feira, 13 de março de 2013
MENINO PASSARINHO
A história que eu vou
contar pode se confundir com a de muitas pessoas. A história do menino
passarinho. Eu o conheci se é que se pode dizer isso, porque pouquíssimas
pessoas puderam conhecê-lo de verdade. A primeira vez que o vi, algo me chamou
a atenção. Garoto calado, olhar profundo, como se estivesse o tempo todo
contemplando alguma coisa. Para sua idade tinha uma estatura normal. Nesse
primeiro encontro pouco falou comigo, apenas respondeu as perguntas que lhe
fiz. Seu nome era Ângelo.
Nasceu em uma casa
simples da periferia, onde vivia com seus quatro irmãos. O pai ele não
conhecia. Era sua mãe que sustentava a casa trabalhando como doméstica. Seu
irmão mais velho também ajudava, pois já tinha idade para trabalhar. Ângelo ou Anjinho,
como era chamado pelos irmãos era diferente dos outros. Sempre fora caldo,
sempre com o olhar taciturno. Tinha uma esperteza natural, tanto que os
parentes e amigos diziam que iria longe na vida. Mas a timidez o afastava do
sucesso.
No primeiro dia de
aula de sua vida ficou sem falar com ninguém, somente respondeu a chamada.
Assim ficou por muito tempo. Os colegas da sala tentavam se aproximar dele, mas
ele não se abria para as amizades. Calado chegava, calado saia. Foi neste tempo
que seus problemas começaram. Era considerado aluno displicente, preguiçoso.
Começou a frequentar assiduamente a sala da direção da escola. Sua mãe perdera
a conta de quantas vezes fora chamada por causa disso. Conversas e conversas, e
nada mudava. Repetiu o primeiro ano duas vezes. O segundo uma vez, o terceiro
mais duas e quando chegou ao quarto já era um adolescente. Neste período
Anjinho tornou-se agressivo, vivia arrumando confusões, sem contar as mudanças
de escola. Ele por ficar o tempo todo calado e contemplativo, foi apelidado de
o menino passarinho, tudo por causa de um professor que bem alto gritou que ele
parecia um passarinho, pois passava o tempo todo voando.
O que será que
passava pela cabeça do menino passarinho, por onde será que ele voava? Essa
pergunta atordoava a todos que dele queriam se aproximar. Às duras penas ele
terminou a quarta série. Já era um moço, quinze anos . Resolveu que não iria
mais para a escola, pois queria trabalhar. Sua mãe ficou apreensiva, como
poderia seu menino sobreviver dentro de uma empresa do jeito que ele era. Não
permaneceria em emprego algum. Esse pensamento estava correto, não parou mesmo
nos empregos.
Angelo tinha um lugar
secreto, onde costumava ficar quando estava nervoso. Todos sabiam que ali ele
se refugiava, mas ninguém sabia como era o lugar. Era um barraco velho que
ficava bem no fundo do quintal de sua avó. Ali ele costumava passar horas, e às
vezes, até dormia por lá. Infelizmente o menino passarinho deu um voo
equivocado e foi parar em uma delegacia, pois estava com um grupo de
delinquentes. A família ficou desesperada, o que fazer, eram pobres e advogado
cobrava caro.
Aprisionaram o menino
passarinho por dois anos. Foi nesse tempo que o conheci. Chegou em minha sala
de cabeça baixa, e quase nada falou. E u já havia lido todo o relatório feito
sobre ele. O motivo dele estar ali, como era sua família, seus problemas
escolares. Mas algo me incomodava, ele não tinha um histórico tão ruim como eu
pensava, estava ali apenas por um delito. O que se passava naquela cabeça?
Passei alguns meses incomodado, pois nada tinha mudado desde o nosso primeiro
encontro, ele continuava em seus voos intermináveis.
Resolvi então visitar
sua família para entender melhor o garoto. Fui muito bem recebido. Todos
queriam entender o motivo daquele drama. Conversamos sobre sua infância e o
tempo na escola. Muita coisa não encaixava. Um garoto aparentemente normal que
não conseguia estudar, que não conseguia trabalhar e que agora estava preso.
Algo dentro de mim me fez perguntar para a mãe se tinha alguma coisa que ele
gostava de fazer. Ela me disse que ele passava horas e horas no barraco no
fundo do quintal da casa da vó, e eles não iam até lá, portanto ninguém sabia o
que ele fazia e o que tinha lá dentro. Pedi para conhecer o lugar.
Quando entrei no
barraco fiquei estupefato e em estado de graça. Um espaço todo organizado, uma
espécie de ateliê. Esculturas, pinturas de fazer inveja a muitos artistas bem
preparados. Obras geniais. O menino passarinho depois de seus voos trazia para
o seu ninho as recordações dos lugares e imagens que conhecera. Sentei,
contemplei e chorei. A visita àquele lugar me fez repensar o meu trabalho, as
minhas abordagens aos meninos e meninas que vinham à minha sala.
Voltei para a
Fundação, e solicitei que Ângelo viesse até a minha sala. Desta vez não fiz
perguntas, pedi-lhe apenas que desenhasse o que estava sentindo naquele
momento. Sai da sala, e depois de algum tempo voltei.
Ele me entregou o
desenho, mais uma vez fiquei estupefato, mais uma vez me emocionei. Pedi para
me contar, onde tinha sido aquele voo, foi aí que comecei a conhecer o
verdadeiro menino passarinho. Descobri que ele sabia ler, não escrevia tão mal
como se pensava, não tinha problemas em aprender. Apenas, não foi alcançado em
seus voos.
Lutei para que ele
fosse liberado da pena, continuei acompanhando seus passos. Ele se encontrou,
começou a falar mais. Embora ainda continuasse contemplativo e de pouca
conversa. Volta mais rápido de seus voos e cada vez mais com imagens geniais.
Muitos anos se
passaram e o menino voou, voou, para outras terras para mostrar o produto de
seus voos, é hoje um grande artista plástico. Depois dele conheci outros
passarinhos, cada um com seu ninho, seu esconderijo, com sua genialidade.
Aprendi a lutar para a sobrevivência destes passarinhos para que não sejam
abatidos em seus voos, que não se percam pelo caminho. Ângelo, o menino
passarinho também me ensinou a voar, que eu também preciso de um ninho, para
comigo me encontrar. E que todos nós somos passarinhos e precisamos de
liberdade para voar. Há muitos meninos passarinhos por aí precisando de alguém
para encontrá-los.
Autor: José Geraldo da Silva
terça-feira, 12 de março de 2013
LÁGRIMAS
Águas que jorram
devagar
Assim são as lágrimas
Quando são
despertadas
Não se sabe muitas
vezes
O porquê de o seu
transbordar
Pode ser por causa
de uma triste cena,
De uma saudade,
Da beleza de um por
de sol,
Da alegria de ver a
terra seca
Sendo encharcada pela
chuva tão esperada
Ou pela dor da
separação.
Lágrimas tornam o ser
mais humano
Demonstram as
verdades,
Revelam os
sentimentos,
De alegria, de dor,
de amor,
Revelam a alma.
Reter as lágrimas é
viver represado, empossado.
É sentir tudo e não ser
mergulhado
É ser tocado, mas não
alcançado.
É ter o tudo, como se
não tivesse nada.
Lágrimas são como
veios finos
Que se transformam em
ribeirões
Que invadem os rios
Que desaguam no mar
Assim elas revelam as
pequenas coisas,
Os sentimentos que
crescem
As dimensões e as
distancias.
Elas mostram a
grandeza
De se poder amar e a
nobreza do ato de chorar...
Autor: José Geraldo
da Silva
SINFONIA DO OLHAR
Imagine
uma orquestra interpretando uma sinfonia
Imagine
seres encantados a arquitetar
No
meio da floresta uma doce magia
Que
só as almas puras podem enxergar
Imagine
o mar agitado quebrando a monotonia
E
com doce violência a pedra dura moldar
Imagine
o som de prazer e alegria
Que
só as almas puras podem interpretar
Por
isso fui encantado
Para
ouvir o som da orquestra
Regida
maviosamente por um ser iluminado
Sinfonia
abstrata sem ninguém para ouvir
E
poder perceber que os seres encantados
Estão
maliciosamente a sorrir
Admirados
com a escultura feita pelo mar
Admirados
com o mistério do seu olhar
Que
silenciosamente regem a sinfonia
E
que desconcertantemente tentam se esconder
Mas
que acabam revelando a magia
Da
sinfonia do silêncio que está ao teu redor
Descortinando
os encantos deixando os revelar
E
assim eu acordo do encanto procurando teu olhar.
Autor:
José Geraldo da Silva
O DESABAFO DE UM APRENDIZ DA PENA
Quando escrevo não me
preocupo com as rimas, com a métrica ou com a forma. Escrevo tomado pela emoção
do momento. Momento que me faz pensar, sonhar e questionar, simplesmente o que
importa é o momento. Não busco as palavras difíceis, rebuscadas e elegantes.
Procuro aquelas que combinam com o sentimento e a emoção. Sinto-me um atrevido
quando ouso dizer que faço poesia ou que sou um poeta. Não posso me comparar a
um Quintana, Vinícius ou um Drummond, sou apenas um aprendiz que conduz a pena
de forma amadora, que treme ao tingir o papel com as palavras, criando apenas
rabiscos. Também não me preocupo se alguém irá gostar daquilo que escrevo, o
que importa é que o papel registra a minha emoção. O mais importante é que
aprendi a amar as palavras e sua magia. E como João Guimarães Rosa tenho a
palavra como minha amante e juntos procriamos. Já escrevi sobre o amor, a
solidão, o tempo, o silêncio, os sonhos e acima de tudo, sobre minha fiel
companheira, a palavra. É através das linhas rabiscadas que juntos criamos e
divulgamos a essência do ser. Ser que só sobrevive porque tem como companheira
a palavra, que simplesmente revela o ser.
Obrigado mais uma vez
a você minha pena que rabiscou o desabafo deste aprendiz.
Autor:
José Geraldo da Silva
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