domingo, 15 de setembro de 2024

CRÔNICAS DE SALA DE AULA

 

crônicas de sala de aula

BOLA DE GUDE

Era uma barulheira danada, a criançada se reunia no campinho de terra que ficava no final da rua. Cada um com a sua latinha cheia de bolinhas de gude, era um festival de cores e tamanhos.

Faziam as burcas, estabeleciam as regras, que na maioria das vezes eram quebradas. Brigas, palavrões inocentes eram partes do espetáculo. Bolinhas que quebravam, e muitos que voltavam para casa com suas latas vazias. Mas no outro dia estavam lá de novo.

Que saudades dos campinhos de terra, que saudades das bolas de gude. Hoje estão na lembrança daqueles que de fato viveram a sua infância e sabem o que é uma bola de gude.


José Geraldo da Silva


A BORRACHA


Era uma discussão sobre quem era o mais importante na construção de um texto, estava o lápis, a caneta e a borracha.

O lápis disse todo garbosos:

- Eu dou o pontapé inicial, sem isso não há texto, preparo o rascunho.

A caneta, mais vaidosa ainda e com empáfia, disse:

- Quem finaliza o serviço sou eu queridinho; o texto só é finalizado com minha atuação.

A borracha, acanhada, pensou, pensou e com humildade desabafou:

- É meus amigos, quem apaga as bobagens que vocês fazem sou eu, se isto não acontecer o texto pode ser apenas um pretexto; e mais, tenho saudades das mão talentosas que nos usava com maestria e eu não sofria tanto. Portanto, toda esta discussão não passa de devaneios. Prestem atenção, sem um de nós não haverá texto.

Houve silêncio e cada um se pôs no seu lugar.


José Geraldo da Silva


CAIXAS D'ÁGUA


Tirar água de poço é tarefa muito interessante. Joga-se o balde, que desce fazendo barulho, sendo preso por uma corda. Quando sobe, vem chorando ao sentir a força da corda lhe puxar. Tem até poesia neste ato.

Com o tempo o balde e poço foram substituídos pelos encanamentos das companhias de abastecimento. A poesia do balde acabou dando lugar para as caixas d'água. Elas têm vários tamanhos, de acordo com o cliente. Não se ouve mais o gemido dos baldes, e sim, o barulho das torneiras.

Para as caixas d'água encherem, precisam apenas da pressão dos encanamentos, que não trazem encantamentos. As caixas ficam no alto das casas e não embaixo. Elas não trazem a saudade dos tempos dos poços e dos baldes, que traziam aos homens o tesouro escondido no subsolo, que enchiam os olhos de alegria com o liquido precioso. Nos poços não se pagava pela água, nas caixas d'água o preço dói no bolso.


José Geraldo da Silva


CARTAS


Naquela caixa antiga, envelhecida pelo tempo, guardavam-se segredos, histórias, amores e saudades. Estavam todas elas amareladas, amarrotadas e fragilizadas.

Estavam amarradas por fitas, por temas e por lembranças. Posso imaginar, quão lindas histórias foram relatadas por elas. Fico bastante tempo contemplando-as.

Que saudades! Hoje elas estão em um museu para que as pessoas se lembrem como eram as cartas.


José Geraldo da Silva


MOCHILA


Já não havia mais espaços nela de tantos bótons que carregava. Desbotada pelo tempo, pequenos rasgos, mas isso não importava, na hora da nova aventura ou de uma nova viagem, lá estava ela de novo nas minhas costas.

Por muitas vezes cogitei em trocá-la, mas não conseguia. Era parceira de muitas histórias e de aventuras. Ela envelhecia, como eu envelhecia também.

Até que um dia os tempos de aventuras acabaram e a responsabilidade chegou, tanto eu como ela deixamos de planejar novos caminhos. Enfim, aposentei a velha mochila que tantas saudades me traz.


José Geraldo da Silva





 


 





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

TEU OLHAR


Azul, assim é o céu
Nas manhãs de verão
Meus olhos ficam parados ao léu
Como se olhasse em vão
Sem poder esse azul contemplar
Como se perdesse a visão
Parado diante do teu olhar
Como se fosse por medusa enfeitiçado
Sem poder palavra nenhuma professar
Perdidos na ilusão, paralisados
Assim ficam meus olhos
Perdidos no espelho reluzente
Sem meu rosto contemplar
Perdidos no azul da cor do mar
Perdidos nos olhos a me enfeitiçar
Parado, calado e enfeitiçado
Assim fico diante do teu olhar

          José Geraldo da Silva



ENCONTRO ETERNO


Todos os dias pela manhã Santiago saía de casa para caminhar. Depois de fazer sua caminhada matinal ia para a lanchonete do bairro para tomar seu café. Isso fazia por anos, logo depois da morte de sua esposa. Numa dessas manhãs ele teve uma surpresa, uma nova funcionária havia sido contratada para servir as mesas. Ele ficou impressionado com os olhos dela. Alguma coisa de diferente havia naquele olhar. Algo que ele não sabia como explicar. Mas aquele olhar lhe trazia um certo fascínio.
Santiago sempre fora uma pessoa introspectiva. Não era de muita conversa, e depois da morte da mulher ficara mais calado. Tinha pouco mais de cinquenta anos, apenas um filho, este já casado. Parecia que não tinha muito ânimo para viver. Já não se arrumava com elegância. Mas a presença de Victória na lanchonete, esse era o nome da nova atendente, mudou o seu olhar.
Ele se aproximou da moça, ela era bem mais nova do que ele, e começou a conversar com ela. Começou a frequentar a lanchonete com uma aparência melhor, parecia que havia rejuvenescido. Seu olhar era outro, havia um brilho novo em seu rosto. Victória retribuía, e aos poucos foram ficando íntimos. Começaram um relacionamento. Começaram também a enfrentar os preconceitos das pessoas, principalmente por causa da diferença da idade entre eles.
O olhar de Victória deixava Santiago muitas vezes confuso. Ele não sabia explicar o porquê. Havia algo naquele olhar, algo familiar. Nasceu entre eles uma grande paixão. Passavam as tardes juntos. Conversavam sobre a vida, sobre planos, sobre o futuro. Viviam suas tardes como se os minutos fossem uma eternidade. Se entregaram ao amor intensamente. Quem os via ficava impressionado com tanta harmonia e comunhão. Ela o ouvia, como se ouvisse um mestre, um sábio que lhe ensinava coisas importantes sobre a vida. Ela o admirava.
Mas aquele olhar, meu Deus! Aquele olhar. Santiago queria entender. Não havia explicações por que tanto fascínio. Ele sentia além da paixão, muita ternura por ela. As tardes foram se transformando em dias juntos. O vínculo entre eles a cada dia aumentava mais. Ele se sentia bem, como se a vida começasse de novo. Como se lhes estivesse dando uma nova oportunidade para ser feliz. Esse amor era muito diferente de tudo que tinha sentido. Era muito especial, muito forte. Nunca havia sentido algo semelhante.
As coisas iam muito bem, mas a vida tem os seus reveses. Victória antes de conhecer Santiago tinha tido alguns relacionamentos frustrados, estava desencantada com a vida. Era moça pobre, sem ter tido muitas oportunidades, principalmente para estudar. Muitas vezes fora marginalizada por causa de suas escolhas. Não tinha muitas posses e o trabalho na lanchonete às vezes mal dava para pagar as contas. Muitos começaram a dizer que se aproximara dele para ter uma vida estável, pois ele era um homem de certa forma abastado.
Antes de conhecê-lo se inscreveu num programa de bolsas de estudos e teria que partir para outro país. Para ela seria a grande mudança de vida. No começo de suas conversas com ele lhe contou, porém ele acabou se esquecendo. Entretanto, foi selecionada e teria que partir. O que fazer agora? Esse era o dilema de seu coração. Teria que contar isso para o seu amado. Como contar? Mas como contar?
Aquela noite fora muito difícil para Santiago. Alguma coisa o incomodava. Ele não era um homem de religião, mas também não duvidava das coisas espirituais. Deitou-se e adormeceu e teve um sonho muito intenso. Parecia que tudo era real. Estava acorrentado, alguém gritava uma sentença fatal. Gritava um nome que ele reconheceu ser o seu. Estava sendo condenado à morte por crime de subversão ao rei. Mas antes de ser preso e condenado tentou fugir. Se despediu do seu grande amor, que chorava copiosamente. Ele olhou nos olhos dela e movido pela comoção lhe disse:
__ Te procurei por toda a vida e te encontrei, mas agora tenho que partir, mas juro que te buscarei, custe o que custar.
Fizeram as juras de amor e se beijaram pela última vez. O olhar dela ficou em sua mente. Ele tentou a fuga, mas foi capturado. Foi levado para ouvir a sentença que o levaria à forca. Antes do carrasco executar a pena ele deu um grito dizendo:
__ Eu te encontrarei meu amor, te buscarei por todas as vidas.
Santiago acordou assustado com o sonho, transpirando, tomou água e não mais dormiu naquela noite. Não conseguira. O sonho não saia de sua cabeça. O que significava tudo aquilo, por que sonhara com uma vida no passado, como se fosse no presente? Por que havia feito aquela promessa? O coração apertou. Chorou um choro profundo, como se estivesse tido uma premonição. Passou o resto da noite em lágrimas.
Victória como de costume encontrou com ele, porém naquele dia estava diferente. Não estava alegre, estava contida. Não sabia como lhe contar, que iria partir. Amaram se, trocaram carinhos e ficaram por alguns minutos se olhando, Santiago cheio de emoção lhe disse:
__Meu amor agora entendo porque o teu olhar sempre me atraiu. Eu te procurei por toda a vida e agora te encontrei. Um dia lhe fiz um juramento que te procuraria por todas as vidas. Agora te encontrei meu amor.
O coração de Victória ficou apertado, teria que lhe contar que partiria. Seu amado estava feliz e agora teria que lhe contar. Respirou fundo e lhe contou o que iria acontecer. Ela iria estudar, iria embora. Pediu que a entendesse, que o amava, mas precisava dar um rumo à sua vida. Ele ficou estático, mudo. Assim ficou por minutos. O sonho lhe veio à cabeça. Lembrou-se do seu juramento. Lágrimas começaram a correr pelo seu rosto. Não sabia o que dizer. Então consentiu, abriria mão de sua felicidade pela felicidade de sua amada. Não se sentia no direito de lhe pedir que não fosse. Ela era jovem e deveria correr atrás de seus sonhos. Porém não acreditava no que estava acontecendo. Apenas consentiu, e não disse nada, apenas guardou os pensamentos para si. Resolutamente aceitou e passaram juntos os dias antes da viagem.
O olhar, agora ele entendia o fascínio pelo olhar de Victória, porque ele sentia se sentia atraído. Tudo fazia sentido para ele agora. Havia encontrado sua alma gêmea, aquela que numa outra vida havia amado intensamente. Mas mais uma vez iriam ser separados. Sentia a mesma dor que sentira quando sonhara naquela noite.
Um dia antes da partida de Victória encontraram-se para a despedida. Beijaram-se e agora era ela quem fazia a promessa de encontrá-lo de novo. Ela dizia que voltaria para ele, que viveriam dias felizes. Ele firmemente a olhou nos olhos e com palavras que saiam da alma, mais uma vez lhe disse:
__ Passei muito tempo te procurando, te procurei em muitos lugares, em muitas vidas. Nunca deixei de te procurar, pois foi o juramento que lhe fiz antes de ser preso e sentenciado à morte. Te procurei tanto e agora te encontrei e não posso deixa-la partir sem que saiba que o nosso amor é além da vida. Nos encontramos, agora vá, já cumpri o juramento, seja feliz.
Tomado de muita emoção disse todas essas palavras, agora era ela quem ficava estática e sem voz, como se tivesse sido despertada de um sono profundo. Ficou extremamente emocionada. Não conteve o choro. Saiu dizendo que o encontraria no aeroporto para a despedida.
Ele não foi ao aeroporto, mandou uma carta se desculpando e desejando boa sorte, que não suportaria a despedida. Em vez disto foi à lanchonete tomar o seu café e lembrar das manhãs felizes que passara ali com sua amada. Queria sentir a atmosfera de amor que o lugar guardava. Ali permaneceu sentado absorto em suas lembranças que se esqueceu de tudo ao seu redor. De repente sentiu um perfume familiar e uma mão lhe tocar nos ombros e uma voz sussurrar em seu ouvido:
__ Voltei meu amor, me lembrei da promessa que me fez. Esperei por você em todos os lugares. Te esperei em outras vidas. Não poderia ir mais. Esperei tanto pelo nosso encontro eterno. Voltei para viver nesta vida o que não pudemos viver em outras. Quero viver cada segundo, cada minuto e cada dia o nosso amor, sem perda de tempo. Vamos cumprir a nossa promessa eterna.

                                                                       José Geraldo da Silva

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

BEIJOS, ETERNOS BEIJOS


Todo encontro requer um beijo.
Beijo fraterno,
Beijo materno,
Um beijo apaixonado.
A vida é feita de encontros.
Uns duradouros,
Outros momentâneos.
Alguns são encontros de almas.
E são nestes encontros
Que bocas se unem
Selando o momento
De almas que se buscam
Nos beijos eternos
Não se importando com o tempo
Que se levou para o encontro.
Assim são os encontros
Com beijos eternos, eternos beijos

                                                           José Geraldo da Silva



segunda-feira, 9 de julho de 2018

TEU BRILHO


No infinito das grandes constelações
Onde é impossível de se ver
Ainda consigo observar o brilho estelar
Causando em mim grandes emoções
Pois por um tempo de insensatez
Imaginei que a sua luz pudesse apagar
Foi um ledo engano, pude perceber
que apagar de dentro do coração
Aquele brilho que um dia vi no teu olhar
É agir como um insano
Que se esquece que não se pode dissipar
Ou mesmo apagar o brilho das estrelas
Como um meteoro você entrou no meu universo
Deixou em mim o brilho, que me faz
Todas as noites na imensidão das
Estrelas mais uma vez te encontrar
                                                         José Geraldo da Silva


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O DESPERTAR PARA A LEITURA

O vídeo abaixo foi elaborado para ilustrar como os alunos montaram seus trabalhos em relação ao Projeto Formando Jovens Leitores desenvolvido na EMEF. Prof. Alexandrino da Silveira Bueno, no Município de Barueri, na modalidade EJA, onde leciono Português.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

VISITA ZOO SOROCABA RAUL lion

A aula passeio é mais que diversão é um espaço para aprendizagem. Uma das técnicas criadas por Freinet, que contribuiu muito com a prática pedagógica proporcionando aos professores formas diferenciadas de trabalhar com seus alunos e enriquecer o elenco de objetos de estudo e relações a se investigar
Os alunos por meio da motivação, interesse, curiosidade e questionamentos, criam condições para que o meio físico e o meio humano constituam-se numa fonte de atividades e descobertas. Foi esse o pensamento do Professor Raul Guiraldelo, organizador deste projeto

CONVITE PARA UMA NOITE ESPECIAL

Convidaram-me para uma noite literária. Fiquei pensando como seria essa tal noite. Foi quando encontrei um amigo, que é professor e me falou a respeito. Por acaso ele era um dos responsáveis pelo evento. Sempre gostei de ler, principalmente romances, porém nunca havia participado de um evento literário. Fiquei muito curioso.
O meu amigo me contou que a ideia nasceu, quando seus alunos receberam uma bolsa com livros de vários autores. Dentre eles havia livros de poesias, contos e romances. E foram incentivados a ler. Foi aí que decidiram realizar uma noite literária para a troca de experiências em relação ao impacto que a leitura causaria na vida dos alunos.
No começo alguns se mostraram resistentes, mas aos poucos começaram a degustar o cardápio que lhes fora apresentado. Foram lidas poesias, contos e romances. Surgiram os primeiros comentários sobre as leituras, algumas críticas interessantes e até livro que foi proibido, só que tarde demais. A leitura não tem preconceito.
Os alunos começaram a questionar, a fazer comentários de outros livros que não tinham vindo na bolsa. Muito interessante. Nesse momento do relato me veio à mente o pensamento de Paulo Francis que diz: Quem não lê, não pensa, quem não pensa será para sempre um servo. Maravilha, eles começaram a ler, e em consequência, a pensar.
As palavras do meu amigo me fizeram viajar no tempo, lembrei-me da minha primeira emoção ao ler um livro, “Meu pé de laranja lima” era o nome. Terminei o livro em lágrimas. Que emoção. Depois disso quis mais, e desde então não parei de ler e me emocionar. Meu amigo junto com seus colegas deram aos seus alunos o melhor presente que se pode dar, o despertar para a leitura.
Depois deste bate papo decidi ir à noite literária, principalmente porque ele me disse que haverá leitura de poesias, teatro, música e o que mais me chamou a atenção, o depoimento dos estudantes. Acredito que os imortais da Literatura estão aplaudindo de pé essa iniciativa. Você também está convidado. Vem!!


José Geraldo da Silva

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

IMORTAIS

Numa dessas conversas de sala de professores surgiu o assunto que sempre se discute, “virar nome de escola”. Sabemos que para que isso aconteça o professor tem que morrer. Coisa estranha, não é? Isso me levou a uma reflexão, morrer para reviver. É bem isso que acontece.
Uma colega com ares de saudades nos contou sobre os seus tempos de escola no velho Alexandrino, sim no Professor Alexandrino da Silveira Bueno, uma das emefes da cidade de Barueri. Todos pararam para ouvir suas recordações.
Tinha sete anos, lá pelos idos anos de 1974. As ruas eram de terra e em dias de chuva era o famoso amassa barro. Usava saia xadrez, blusa branca, cinto vermelho e sapatos pretos. Fazia de tudo para não sujar a roupa para não passar vergonha. Ficou por lá até a oitava série. Quantas lembranças, professores, amigos e o velho Alexandrino sendo marcado pelo tempo. Segundo ela, seu vínculo com a escola continuou, pois sua secção eleitoral era lá.  Ela acompanhou todas as mudanças do bairro, asfalto, iluminação, novas casas, comércio e o velho se mantinha de pé.
Um retrato emocionante, quantas marcas ficaram registradas. O professor Alexandrino, acredito eu, nem imaginava que ficaria vivo, e muito vivo, principalmente nas lembranças e na alma que o seu nome de escola deixou nas pessoas que ali estudaram. Ele continua lá, no mesmo lugar de sempre, com roupagem nova, todo imponente, bem no alto para que todos o vejam, coisas do destino.
Pensando bem, não é tão ruim assim virar nome de escola. Ficamos imortalizados, pois é comum as pessoas perguntarem:  - onde você estuda? E a resposta é: - No Alexandrino ou outro nome de professor. De verdade, o professor não morre, permanece vivo, vira entidade importante. Como diz Rubem Alves: Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. “O professor, assim não morre jamais...”.
Como o velho Alexandrino todos os professores continuam vivos, mesmo que não virem nomes de escola. E assim o velho vai se confundindo com o novo. De tempo em tempo os arquitetos vão dando um jeito de rejuvenescê-lo. Essa foi a minha reflexão, o professor não morre, e sim renasce quando vira nome de escola. Não é Velho Alexandrino?


Professor José Geraldo da Silva

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

TODOS CONTRA BULLY


Os alunos representantes do Grêmio Estudantil da Escola de Ensino Integral Wilmar Soares da Silva realizaram um trabalho sobre bullying, e como culminância preparam um vídeo para a apresentação final. Para curtir o vídeo é só clicar abaixo:


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

IMAGENS PARA CONTEMPLAR


No ano passado fui passear pela cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, e decidi atravessar a Baía de Guanabara até a cidade de Niterói para contemplar a cidade do Rio com outros olhos. Aqui estão selecionadas algumas das fotos maravilhosas que tirei, que resolvi dar um tratamento especial, embora não houvesse nenhuma necessidade. Espero que gostem do resultado.


































quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O SORRISO DA CONSCIÊNCIA


Ter consciência é não ser dominado por preconceitos ou atitudes desrespeitosas. Ter consciência é acreditar que só a Educação é capaz de melhorar o ser humano e derrubar os preconceitos. Ter consciência é ver na escola um espaço de cultura, onde as diferenças servem como elementos para a construção da cidadania, é crer num Brasil melhor, mais justo e igualitário. Um pais tão mestiço, que não tenha espaço para discriminações, sejam elas quais forem. O dia vinte de Novembro é o Dia da Consciência Negra, que seja o dia da consciência de todos os brasileiros, para que vivamos uma grande nação. Fotografei um grupo de alunos da Escola de Ensino Integral Wilmar Soares da Silva, todos mestiços e brasileiros como eu, também mestiço e montei um vídeo para que possamos mostrar um sorriso consciente



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Os 4 pilares de educação

Na escola Wilmar Soares da Silva, onde atuo como Coordenador Geral, um dos princípios seguidos são os quatro pilares da educação. Aprendem a importância de exercerem o protagonismo juvenil, ou seja, se tornarem sujeitos de seu tempo. O vídeo abaixo ilustra bem esse comentário.

Clique aqui para assistir ao vídeo

segunda-feira, 23 de maio de 2016

RECEITAS QUE TRAZEM SAUDADES




  

A casinha na baixada, o ribeirão correndo aos fundos, a fumacinha nostálgica, que subia pela chaminé, naquelas manhãs de inverno. Essa era a visão que se tinha quando chegávamos à casa de minha querida avó. Essa imagem ficou impregnada na minha memória. Ela é tão sinestésica, que consigo até sentir os cheiros que exalavam da cozinha. Quantas saudades! Aquele fogão de lenha, os cuidados de minha vó, mexendo nas panelas, colocando em cada alimento o tempero, tempero este que vinha carregado de amor. Eu me sentava na taipa do fogão para me aquecer do frio, e ela passava sua mão terna na minha cabeça e me dava um bocado das iguarias que cozinhava. Quantas saudades!
O tempo passou, e todas às vezes que visito a minha cidade, passo pelo lugar onde meus avós moravam, e por alguns minutos revivo essas memórias. Minha família sempre gostou de se reunir à mesa, momento sagrado, momento em que podemos reviver nossas saudades. Minha mãe recebeu um dom muito especial, o dom de dar sabores especiais aos alimentos, e uma de suas frases memoráveis e´: tudo deve ser feito com amor, quando se cozinha com amor, mesmo que seja o prato simples, se torna saboroso. Deve ser por isso que seus pratos são muito deliciosos. E nessa nostalgia ela deu requintes a uma iguaria lá da roça, criou a cocada na moranga. Juntou o doce da cocada com o sabor da moranga. Para quem não conhece moranga é uma espécie de abóbora, daquelas usadas nos enfeites para o dia das bruxas. Sua receita é um sucesso na família e já traspassou as barreiras do núcleo familiar para ser publicada em livro.
Hoje, quando nos reunimos para saborear essa delícia, paramos para relembrar o tempo de nossas infâncias. E parece que a atmosfera que nos envolve fica cheia de saudades, principalmente, quando falamos de receitas. Cada uma delas carrega uma história. Quantas saudades! Vem à mente a casa de meus avós, das tias, vêm à mente lembranças de tempos difíceis, porém felizes. A fumacinha da chaminé, traz um cheiro de saudade. A receita da minha mãe tem esse poder mágico, volto à infância, das manhãs de inverno, das manhãs de amor na casa de minha vó. Quantas saudades!
Quando comecei a escrever sobre este assunto, mais uma vez me veio à mente doces lembranças, como o doce de minha mãe, que é sucesso certo em nossa família. Isso me fez fazer uma breve reflexão, como deve ser triste não ter doces lembranças. Acredito que quando as pessoas vão preparar seus pratos e se reunir à mesa, muitas lembranças vêm à mente. É assim que me sinto nos almoços fraternos de minha família. Quantas saudades!

   
Autor: José Geraldo da Silva





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

SOCIALIZAÇÃO E EDUCAÇÃO

Educar é ir além das quatro paredes de uma sala de aula ou dos muros da escola. É criar no ambiente escolar um espaço aprendente. Espaço que permita ao educando exercer o seu protagonismo, onde os quatro pilares da educação possam de fato ser trabalhados e vivenciados. É criar um espaço de cultura, em que todos possam partilhar suas experiências e saberes adquiridos em suas comunidades.
A socialização de saberes é elemento fundamental para a construção de uma comunidade aprendente. Seja no aspecto formal ou informal da educação. Todos os saberes são bem vindos. Aqueles que constam dos livros e dos registros teóricos, bem como o conhecimento de mundo daqueles que frequentam a escola.
Quando se dá a oportunidade ao diálogo e aos debates, em que culturas sejam discutidas e aprendidas, tem-se a oportunidade de fato de se construir saberes que serão importantes para a formação cidadã do indivíduo. Professores e alunos são atores de um mesmo processo, o aprender. Não há espaço para soberanias, e sim, para a formação crítica, tão necessária para o exercício da cidadania.
Portanto, propiciar um espaço aprendente em que seja valorizada a cultura, o humano e o respeito às diferenças, é de fato fazer educação. Todos se tornam aprendizes, e a escola se torna um espaço de socialização, em que se evidencia o aluno como sujeito de seu tempo, crítico e capaz de atuar na sociedade, pois não há saber pronto, e sim em construção.

Autor: José Geraldo da Silva

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mediação e Linguagem: Animação em Massinha "Uma Galinha"

Produção dos alunos da escola de período integral Wilmar Soares da Silva, apresentando a importância de exercer o protagonismo juvenil. Assista ao vídeo e comprove.

Clique aqui para assistir ao vídeo